Sir Matthew Pinsent: O maior voga inglês faz carreira como jornalista

.Após o retorno de alguns remadores de elite ao cenário internacional depois dos jogos de 2008, muitos esperavam que o inglês Matthew Pinsent, voga do quatro-sem inglês medalha de ouro  em Atenas 2004 e Sydney 2000 (onde Steve Redgrave conquistou seu quinto ouro olímpico) fizesse o mesmo. Mas ele foi categórico afirmando que essa possibilidade de retorno não existe. Podemos citar três exemplos recentes de retornos  de remadores campeões olímpicos. O dinamarquês Eskild Ebbesen reapareceu depois de vencer no quatro-sem peso-leve em Pequim em 2008. O double australiano masculino campeão olímpico com David Crawshay e Scott Brennan retornou esse ano e ficou em quarto no mundial. Outro australiano, Drew Ginn,  também se afastou das raias para realizar uma operação e participar de algumas competições de ciclismo. No último mundial conquistou o bronze no quatro-sem.


O inglês Greg Searle iniciou esse movimento em 2010 voltando às raias depois de 10 anos (conheça aqui os detalhes dessa estória). O apelo de remar em casa nos. jogos olímpicos de Londres em 2012 foi decisivo. No caso de Matthews Pinsent nem esse chamariz convenceu o ex-remador de 41 anos a retornar às raias.


O site da FISA, Worldrowing.com. entrevistou recentemente Pinsent para saber da sua rotina após a sua aposentadoria das raias e o seu envolvimento na organização dos jogos de Londres.


World Rowing: Quando Londres foi confirmada sede dos jogos em algum momento você pensou em retornar às raias?
Matthew Pinsent:  Nem por um minuto! Eu participei de quatro olimpíadas e eu estava pronto para parar em Atenas. A minha vida de atleta durou mais de quinze anos. Foi o suficiente.

WR: Você confirma que estava pronto para parar. Você pensou em ficar definitivamente longe do esporte e da imprensa?
MP:  Assim que deixei o esporte fui para a BBC, que por sinal é um lugar excelente para trabalhar.  Apesar de me sentir a vontade cobrindo o remo, eu gosto de cobrir outras modalidades e no futuro tenho vontade de trabalhar com notícias em geral.  Cobrir a regata Oxford-Cambridge, por exemplo, é um desafio. É uma prova de apenas 17 minutos com apenas dois barcos.  A disputa pode ser espetacular mas também pode terminar nos primeiros três minutos.  Podemos dizer que essa regata é tão tradicional como o torneio de tênis de Wimbledon mas nunca será tão importante como os jogos olímpicos.

WR:  Você viajou para o Iraque para conhecer o remo naquele país. Qual é a sua motivação para colecionar estórias como essa já que o risco é muito grande?
MP: Essa reportagem faz parte de uma série de um total de 26 episódios chamada “World Olympic Dreams” (veja aqui a reportagem e o vídeo) que mostra as estórias de atletas em várias partes do mundo que estão treinando para Londres 2012. Eu não posso fazer essas coberturas sozinho e tenho que contar com a ajuda dos correspondentes da BBC nos diversos países. Eu gravo um capítulo a cada 3 meses e no programa eu falo sobre os treinamentos, mas também da cultura dos distintos lugares.  Nem todos os entrevistados estarão nos jogos. O próximo capítulo será filmado no Afeganistão no final desse ano. A BBC leva a questão da segurança à sério. Eu realizei alguns treinamentos de primeiros socorros, aprendi  a me  deslocar com o colete a prova de balas e até onde seguir com a reportagem sem comprometer a segurança

WR: Qual será a sua função nos jogos de Londres?
MP: Farei apresentações na TV e artigos para jornais. Obviamente estarei na raia de Dorney Lake nas finais. Será um período de muito trabalho já que 18 esportes serão cobertos nos 14 dias dos jogos.  Em Pequim eu cobri taekwando e pentatlo e um pouco de atletismo. Em Londres irei escrever sobre os principais atletas ingleses.


WR: O risco de mau tempo durante as provas de remo nos jogos de Londres é grande. O que você acha da opção de adotar as eliminatórias por tempo (time trials)? Como remador você aprova a adoção das eliminatórias por tempo em detrimento de outras alternativas?
MP: Minha primeira opção seria o remanejamento das raias, depois priorizar as semi-finais e como última opção utilizaria as eliminatórias por tempo.  Eu já remei na raia de Dorney nos seus melhores e nos seus piores dias. Todas as raias tem os seus problemas. Basta lembrarmos da raia de Atenas nos jogos de 2004.

WR: Você poderia imaginar como teria sido a sua vida se você não tivesse seguido a carreira de atleta no remo?
MP: Não tenho a mínima idéia. Eu comecei como junior e segui no esporte na universidade. Eu comecei a competir no cenário internacional em 1987. Em 1988 competi no mundial de juniors e em seguida comecei a competir na equipe sênior.  Eu conquistei a minha primeira medalha olímpica quando ainda estava na universidade. Veja aqui o currículo de Pinsent  no remo.

 

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